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| 26/06/2008 |
Completo
Tornei-me aquele que vive imune A qualquer das coisas que se fale. Hoje, na vida, nada me pune: A felicidade é meu álibi.
Escrito por Di... às 11h56
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Livre
Suicídio. Somente a percepção da palavra me traz um mal-estar peculiar. Suicidou-se sem nenhum aviso, nenhum bilhete. Matou-se, simplesmente. Como se pudesse tornar simples um contexto tão extenuante. Como se carregasse dentro de si um desprendimento assustador. Como se tudo de positivo que lhe havia ocorrido e que lhe rendeu glórias fosse muito pequeno ante o convite do abismo que se insinuava cada vez mais. Médico, 27 anos. Ninguém pôde proferir mais do que algumas reticências.
"O Natal nunca mais será o mesmo". Ouvi de uma amiga a respeito dos pais. Sim. Nunca será. Será o retrato do fracasso. Da incerteza do resgate. Da impotência absoluta. Da mais profunda e dolorosa clausura. Fiquei observando, encostado à parede, os familiares a contemplar o rosto de seu querido através do vidro do caixão lacrado. A mãe olhava-o com olhos pequeninos de tanto chorar, enxugando as lágrimas com um lenço de papel. Aparentava um desespero que me fez lembrar as mulheres à beira do parto. Como se somatizasse novamente, na morte do filho, as dores que sentiu à época de seu nascimento. Senti faltar-me o fôlego. Respirei longamente, puxando novamente para dentro as lágrimas que se insinuavam. Conhecia-o pouco. Estava protegido naquele momento por uma triste e estranha impessoalidade, própria dos mecanismos de defesa emocional.
Permaneci ali, sem saber se ia embora ou se ficava. Veio à minha mente uma canção de Chico Buarque... “Oh, metade adorada de mim, lava os olhos meus, que a saudade é o pior castigo e eu não quero levar comigo a mortalha do amor. Adeus.” Adeus. Senti um arrepio ao repetir a palavra. Senti um nó se formar na garganta e pensei que aquela era a hora de sair dali. Ir embora e deixar que o natal fosse minimamente proveitoso pra mim mesmo. Descruzei os braços, ensaiei um ou dois passos no mesmo lugar, fiz menção de sair... nesse momento, olhei para o caixão uma última vez. Só a mãe estava de pé ao lado do esquife, dessa vez. Ainda chorava. Mas dessa vez, não enxugava o rosto. As lágrimas escorriam por seu rosto e caíam sobre a madeira. Ela puxou um lenço de papel e enxugou as lágrimas que caíram. Enxugou novamente. Então olhou o caixão lentamente, de cima abaixo, pegou outro lenço de papel e começou a passar o lenço devagar sobre a madeira... tinha o cuidado de passar em cada fresta, como se limpasse cuidadosamente. Cruzei meus braços novamente. Meus pés colaram no chão. Aquele era um gesto de puro zelo. O zelo amoroso das mães devotadas. Um sentimento atávico, que teimava em persistir. Um gesto que devastava toda a esperança. Agora ela não se preocupava com as lágrimas que desciam do seu rosto, ou tampouco com as que caíam sobre o caixão. Estava absorta em prover um último cuidado, mesmo que fosse sobre a madeira fria e inerte. Senti a vidraça de impessoalidade que me protegia estilhaçar, e seus estilhaços entrarem fundo em minha carne. Senti uma dor quase física, como se, com aquele gesto, aquela mãe pudesse colocar dentro de mim todo o sofrimento e me fizesse entender alguma coisa, que não sei explicar bem. Agora eu também já não me preocupava com as lágrimas ou com o nó que me apertava a garganta. Só o que me passava pela cabeça era que ninguém deveria sentir tamanha dor. Pensei naquele médico de 27 anos que eu conhecia. Imaginei o desespero dele antes e agora... finalmente consegui sair dali com as pernas fracas e me sentar numa cadeira mais atrás. Ali chorei até fazer cair todos os ceticismos, todos os desprendimentos, toda a impessoalidade. Tudo o que me protegia. Quando parei de chorar, fiquei olhando longamente para um chafariz que havia no local. O sol incidia na água causando um belo efeito. Fiquei com meus pensamentos vagos e me senti mais leve. Olhei a família e o caixão novamente. A dor persistia. Neles e em mim. Mas eu me sentia mais leve. Foi quando senti que conseguiria sair dali para passar o Natal com minha família.
Saí do velatório com lágrimas nos olhos, um nó na garganta, sem nada que me protegesse e me sentindo absolutamente livre.
Escrito por Di... às 11h54
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| 09/12/2007 |
Intoxicado
O amor não surge, não brota, não é despertado por ninguém. O amor é uma vítima da nossa falta de atenção. O amor é perene, é sólido, é denso.
O amor não é cego. É apenas incondicional. Habita todas as frestas e reentrâncias. Está entre as cordas do violão e ressoa com sua vibração.
É uma sólida ponte que une olhares. Está entre os dedos. Escorre como mel pelos cantos da boca. Tamborila no peito como um enorme auto-falante.
O amor é um ecossistema. Dá sustentação aos passos. Liga as pessoas e as coisas como um mar. É quase matéria, de tão presente.
É onde nasci, onde morrerei, onde habito. É minha doença latente. O que me salvará e me levará à morte. Minha eterna intoxicação.
Escrito por Di... às 18h06
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| 09/05/2007 |
Um Cronista Curto, Grosso e Pessimista
A vida é uma merda. Poderia descrever aqui o parecer de vários indivíduos respeitáveis que confirmariam esta afirmação. Mas prefiro ser empírico: a vida é uma merda porque eu acho que ela o é. E, pensando na minha afirmação, penso também no revés: o que é a morte? Implacável conclusão: sendo a vida uma merda, a morte é nada mais que um cu, que interrompe o desenvolvimento do toloco.
A vida é uma merda, a morte é um cu. É só.
Escrito por Di... às 23h55
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| 19/03/2007 |
Que lucro traz o ódio?
Pensei nisso enquanto comentava na minha comunidade do orkut (Triste, Triste Preconceito). Qual é o grande benefício em ranger os dentes, bater nas mesas desejando o mal absoluto para alguém? É a regozijação na vingança? É o falso sentimento de que justiça tem que ser feita? Orgulho ferido?
Sou suspeito pra falar, pois muito do meu orgulho escapou por debaixo das minhas canelas nos anos que me atropelaram. Mas acho que orgulho é um grande atraso, na maioria das vezes... é, inclusive, um pecado capital, segundo os católicos. Tende a ser confundido com amor-próprio, que é completamente diferente.
Justiça é algo extremamente complexo, pois, diz a mitologia, que é cega. E, sendo cega, é preciso que seja orientada e não saia dando espadadas à esmo, ao sabor do ódio. E o ódio, como muitas vezes constatei, anda de braços dados com a insensatez.
Vingança. Esse é o sentimento escondido por debaixo de todas as justificativas para o ódio. Um sentimento primário, inerente à condição humana desde o nascimento, e, portanto, impossível de ser erradicado. Corrói o espírito como uma doença crônica que não pode ser controlada. E há uma variedade adquirida, que se mostra muito mais grave... a vingança sem causa, sem estopim, a vingança gratuita, criada por convenção, que nada tem a ver com "condição humana". Vingança passada entre gerações, como um legado. Gerada por um ódio sem razão - vingança sem motivo, ódio sem razão. É aquela das chacinas de judeus inocentes, da agressão a gays a caminho do supermercado. Que lucro traz?
O sentimento de vingança, que é causa e consequência do ódio, que é inerente à condição humana, traz uma única consequência. A de enterrar as pessoas no que há de mais primitivo no que diz respeito ao progresso da humanidade. Não há nada de glorioso nisso. Talvez, o único lucro que traz é o de perceber como se tem de evoluir na busca de um remédio que controle essa doença.
Escrito por Di... às 20h16
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Paixão, Política e Porrada
Correrei o risco de ser linchado. Poderei perder amizades antigas e bloquear novas amizades. É assim passional a visão política das pessoas. Há algum tempo tive uma discussão acalorada com uma mocinha que conheci na internet. Tesudinha Da Net. Não negarei que iniciei a conversação por motivos pouco lisonjeiros... mas a questão é que estávamos em época de eleição, e, naquele vai e vem de início de conversa, ela me perguntou em quem eu votaria. Respondi que votaria no candidato da direita (um tucano bem sem sal, mas antes insosso que salgado demais). Quem diria?! Tesudinha Da Net me teceu uma malha de argumentos desaforados, entremeados com palavrões que fariam corar até o mais sacana dos intenautas tarados. Me achei um pecador por ser direitista. E a verdade, é que não é a primeira vez que sou pego pela paixão política das pessoas.
Nunca fui passional com esses assuntos. Convivo com a política, mas sem intimidades... só o suficiente pra não me chamarem de alienado. Sou, no entanto, afeito a discussões e adoro um bom pega-pra-capar... e já que minha vida anda meio morna, resolvi demonstrar minha "paixão" pela direita pra ver se vem alguém aqui em casa me agredir. Confesso que, se ocorrer, chegarei ao orgasmo.
Pois muito bem. Direitista sou. Pelo menos aqui no Brasil, onde a esquerda virou uma camisa vermelha e velha com a figura batida de Che, furada no sovaco e repintada de um pálido azul pra ficar mais na moda. É isso mesmo. A esquerda que eu vejo por aqui é aquela do ranço socialista cheio de utopias, da teoria acima da prática e das reuniões infindáveis de onde não sai nada de muito contundente. Não que não haja coisas boas na esquerda. Há sim. Há preceitos esquerdistas que são importantíssimos, mas que sempre foram pessimamente conduzidos. Acho, inclusive, que governos bem conduzidos, sejam eles de direita ou esquerda, são muito bem sucedidos em promover o bem estar de uma população. Mas, sinceramente, prefiro ter o ponto de vista do bom-patrão a ter o do empregado-consciente. Prefiro pensar em criar emprego a pensar em arranjar emprego. Talvez isso seja reflexo da minha formação de classe-média tentando galgar a íngreme escada da mobilidade social, mas não tenho mais como fugir disso.
Há também problemas na direita. Se mal conduzido, como foi, na maioria das vezes no Brasil, um governo de direita pode virar um instrumento implacável de concentração de renda, de liberalismo econômico exagerado e de descaso com a população geral. Mas, pesando-se a realidade das duas vertentes no país onde vivo, não me envergonho de não seguir os preceitos criados para "defender os pobres e oprimidos", de me apaixonar pela idéia de um líder operário que nada fez na vida além de descansar em cima de uma história de vida que a maioria julga louvável e nisso fundamentar seu caráter... como se as duas coisas fossem atreladas.
Fala-se muito em "complô das elites". Seria eu um conspirador, já que pertenço à classe média? Quereria eu arrancar das criancinhas pobres o pão de cada dia para deixar mais farta a minha pança cheia de gordura e mais entupidas as minhas artérias? Morreria eu mais feliz dessa forma? Ora, formas de se aproveitar existem tanto em governos de esquerda quanto de direita. Corrupção é corrupção em qualquer lugar, sob qualquer bandeira. Posso ser sim considerado elite, mas não conspiro contra ninguém. Faço o possível como profissional de saúde para aliviar a dor de quem necessita e para mostrar que as pessoas precisam aprender a pensar e andar com as próprias pernas, construir seu próprio sucesso e não procurar assistencialismos. Esses sim, instrumentos usados para dizer que se ajuda os mais necessitados. Educação? Que é isso?
Apesar de não simpatizar com o presidente Lula, acho louvável sua atitude de não ceder às trapalhadas partidárias habituais, no que diz respeito à economia, e reconhecer que muito do que a direita fez estava certo, quando não era o único caminho a seguir. Elogio-o pelo bom senso. Há os escândalos de corrupção, é claro... mas esse assunto eu deixo pra quem quiser vir aqui resolver na porrada.
Escrito por Di... às 20h10
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BRASIL, Nordeste, ARACAJU, GRAGERU, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Cinema e vídeo, Música MSN -
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Histórico
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